quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Os 5 de quê?: Os que gostariam de ter ganho, mas que o destino nunca deixou

Hoje abro espaço para o mais brasileiro dos portugueses, o grande amigo e blogueiro Speeder_76 do excelente Blog Continental Circus.
Acabei de receber seu e-mail, e até mudei a postagem de hoje.
Um abraço Speeder, obrigado.

A minha colaboração para o Blog F1 Nostalgia, do meu amigo soviético Rianov Albinov, tem a ver com os azarados: tinham tudo para ganhar, mas nunca… mesmo nunca, conseguiram!

5 – Nick Heidfeld

Este vai ainda a tempo. Mas com nove anos de carreira na Formula 1, e passagens pela Prost, Sauber, Jordan e de novo na Sauber, agora rebaptizada de BMW, já poderia ter ganho alguma corrida. Mesmo Jean Alesi, nesta altura da carreira, tinha uma vitória em corridas.

Teve uma boa carreira nos escalões de formação, vencendo a Formula 3 alemã, e o GP do Mónaco da categoria, e a Formula 3000, em 1999, depois de ter perdido o título no ano anterior para juan Pablo Montoya. Foi apoiado pela Mercedes, que o colocou como piloto de testes da McLaren em 1998 e 99, e em 2000 começou a sua carreira, na Prost Grand Prix, sem conseguir qualquer ponto.

Outro grande momento de azar foi no GP do Brasil de 2002, quando se despistou e para evitar bater no Safety Car, arrancou a porta do veículo, quase atropelando o seu condutor, Alex Dias Ribeiro…

Agora, na BMW Sauber, é constantemente batido pelo seu companheiro, o polaco Robert Kubica, tendo até sido ele a garantir a primeira vitória da marca, no circuito Gilles Villeneuve, em Montreal. Heidfeld tem até agora sete pódios pela BMW, seis dos quais na segunda posição, mas a vitória continua persistentemente a fugir-lhe…

Neste momento, é o piloto activo com mais corridas sem alcançar a vitória: 151.


Nick 'atropelando' o medical car em Interlagos 02


4 – Derek Warwick

Teve uma boa carreira em equipas pequenas, mas quando teve a chance de se demonstrar numa equipa maior, como era a Renault em 1984, simplesmente não conseguiu. De ressaca pela perda do título no ano anterior, para Nelson Piquet, a Renault entrou em perda, e apanhou mesmo quando Warwick dava “o salto”. Nos dois anos em que lá esteve, o melhor que conseguiu foram dois segundos lugares e duas voltas mais rápidas.

No final de 1985, a Renault abandona, e ele tem uma chance de ir para a Lotus, substituindo Elio de Angelis. Ele chega a fazer uns testes, mas… Ayrton Senna veta-o. Porquê? Receava que um segundo piloto, em igualdade com ele, poderia dispersar as energias da equipa numa eventual candidatura ao título. Ficou sem lugar no início de 1986, mas voltou à Brabham, após a morte de… Elio de Angelis. Eventualmente acabou por ir para a Lotus, mas em 1990, a equipa era uma pálida sombra daquilo que tinha sido.

Teve outros azares na vida, uma delas trágica: um 1991, o seu irmão Paul Warwick, que corria na Formula 3000 britânica, sofreu um acidente mortal em Oulton Park, quando liderava destacado o campeonato. Acabou sendo como Jochen Rindt: campeão póstumo.

Mas não se pode dizer que só teve azares: venceu as 24 Horas de Le Mans em 1992, com Mark Blundell e Yannick Dalmas, no Peugeot 905, o foi o último campeão de Sport-Protótipos.


Warwick explondindo o motor de sua Arrows na Alemanha 87


3 – Andrea de Cesaris

É certo que noventa e cinco por cento dos azares que teve foram causados por ele próprio, mas teve chances que poderia ter ganho por mérito. Duas delas foram no mesmo sítio: Spa-Francochamps. Em 1983, depois de ter feito dois arranques fabulosos, ia a caminho de uma vitória, quando o motor de sua Alfa Romeo decidiu explodir. Sete anos depois, em 1991, na novata Jordan, e com um novo companheiro de equipa, um tal de… Michael Schumacher, De Cesaris estava em segundo lugar na corrida, e com o líder, Ayrton Senna, experimentando problemas na caixa de velocidades, de novo o motor fez das suas, privando-o de um pódio (no mínimo) a sete voltas do fim.


No final da sua carreira, detêm o “record” do maior número de Grandes Prémios sem vitória: 204, espalhados por quinze temporadas.


Isso é que é conseguiur uma entrevista 'in loco'. México 91


2 – Jean Pierre Jarier

O piloto francês faz parte da colheita onde apareceram, entre outros, Patrick Depailler, Jacques Laffite, Jean-Pierre Jabouille, entre outros. Fez carreira na Shadow, ATS, Tyrrell, Ligier, Osella, com uma passagem fugaz pela Lotus. Contudo, a sua rapidez nunca deu em vitórias na Formula 1, e apenas tem três pódios em 144 corridas. Porquê?

Nisto há algum azar. Três belos exemplos podem ser as suas largadas da pole-position, nos GP’s da Argentina e Brasil de 1975, e o GP do Canadá 1978. Na primeira da qual, o azar foi ainda mais dramático, pois nem sequer largou, pois um elemento quebrado na volta de aquecimento, colocou-o fora de combate… ainda antes da corrida começar! Na corrida seguinte, no Brasil, repetiu o feito dos treinos, mas desistiu na volta 32, devido um problema na bomba de combustível.

Quando substitui o malogrado Ronnie Peterson na Lotus, Jarier aproveitou bem as corridas no carro-asa, o Lotus 79, fazendo boas marcas, mas nunca acabou as corridas. Por exemplo, em Watkins Glen, ia a caminho de um sólido terceiro posto, quando ficou…. sem combustível. Em Montreal, saiu por um furo no radiador. Contudo, isso deu um bom lugar na Tyrrell, para substituir Patrick Depailler.

Acabou a carreira de Formula 1 no final de 1983 na Ligier, sem nunca subir ao lugar mais alto do pódio.


Jarier antes de quebrar em Interlagos 75


1 – Chris Amon

O azarão dos azarões. Dele, Mário Andretti disse um dia: “Se Amon fosse coveiro, as pessoas deixariam de morrer” Bernie Ecclestone foi mais suave: “Mesmo que ele esteja na frente na última volta, com 30 segundos de avanço sobre o segundo classificado, não o apostaria como vencedor”

Correu entre 1963 a 1976, em equipas como Lola, BRM, Ferrari, March, Matra, Tyrrell, Ensign, Tecno e Wolf. Chegou até a fundar a sua equipa, em 1974, com resultados pífios.


O maior azar de todos deve ser o GP de França de 1972. Recém.vencedor das 24 horas de Le Mans, a Matra quer aproveitar e tentar ganhar em casa. Amon faz a “pole-position” e liderava confortavelmente, quando uma pedra furou um dos seus pneus. Mudou a roda, voltou para a corrida, e tentou recuperar o tempo perdido. Resultado: terceiro lugar, a volta mais rápida, e uma diferença inferior a um minuto.


Contudo, Amon foi bem sucedido outras categorias. Ganhou as 24 Horas de Le Mans, com o seu compatriota Bruce McLaren (curiosamente, nunca correu nos seus carros em Formula 1!), e ganhou três corridas extra-campeonato, incluindo um GP da Argentina, em 1971…


Troca de pneus desastrosa impede outra vez uma vitória de Amon. França 72

7 comentários:

Speeder_76 disse...

Não pensava que publicasses tão rapidamente o meu mail. Mas tenho que te avisar de alguns erros. Por exemplo, no Jarier, quando digo que ele ficou sem gasolina em 78, esqueci de dizer que foi em Watkins Glen... no Canadá, foi um radiador furado.

No De Cesaris, falta referir o carro que ele conduzia em Belgica 83: um Alfa Romeo.

Pronto Rianov, achei por bem ser eu a avisar dos erros, antes que fossem outros. Corrige, tá bem?


Um abraço europeu

Speeder

Germano disse...

De Cesaris, Amon, Jarrier, Warwick e Heidfeld...

35 anos de azar num tópico só!!!!

hehehehehehe

Anônimo disse...

O De Cesaris ainda poderia ter vencido em 82 no GP de Mônaco que foi uma verdadeira loteria .

Jarier entrou na hora errada na Tyrrell ,nunca entendi direito porque foi tão mau na Ligier em 81 ,quando voltou em 83 foi novamente em momento ruim ,o Ligier de 83 foi um dos piores da casa.

Chris Amon chegou a testar o novo motor da Ferrari em 69 ,o boxer 312B nos treinos do GP da Italia ,este motor fez historia na F1 por dez anos ,talvez ele não tenha notado o potencial da nova criação de Forghieri ,e correu de March em 70.

Jonny'O

L-A. Pandini disse...

Speeder e Rianov, sensacional o post. Sobre o GP da Bélgica de 1991, li certa vez que a quebra do motor de De Cesaris foi causada por... falha de comunicação. A Cosworth havia alterado o motor para dar-lhe mais rendimento, mas esqueceu-se de avisar à Jordan (ou não sabia mesmo...) que o consumo de óleo aumentaria significativamente. E o motor de De Cesaris quebrou a três voltas do final por falta de óleo... Abraços a ambos! (LAP)

Janus disse...

Talvez alguém que pudesse ter entrado nesta lista, não sei exatamente em que posição, seja Stefan 'Truls1' Johansson. Até hoje, mesmo com os repetidos esforços de Heidfeld, ainda é o piloto sem vitórias com maior número de pódios, se não me falha a memória.

A respeito da foto do de Cesaris, a tempos estava pensando, poderia-se fazer uma coleção, ou eventualmente até um post, de fotos apenas de pilotos empurrando seus carros, mais ou menos como a coleção dos caroneiros. Que vc acha da idéia, Rianov?

abs, jk

Rianov Albinov disse...

Pandini,
Beleza essa história do motor do de Césaris, novidade para mim!

Janus,
Pensei nisto também. De cabeça me veio, Prost Alemanha 86, Mansell Las Vegas 84, de Césaris México 91 e Brabham Sebring 59.
Lembra de mais alguma??

Janus disse...

Pois é Rianov, eram estes também que vieram à cabeça (pelo menos os que eu já vi em foto). Lembro-me que um tempo atrás houve uma discussão sobre isso no antigo tbk, havia pelo menos mais um caso, mas agora não tem mais como consultar ...

O que eu me lembro vagamente é que teve um caso, se não me falha a memória, na Argentina, em que um piloto tentou empurrar o carro e isso acabou causando um acidente fatal para outro que tentou desviar - um caso lamentável mas do qual não me lembro de mais detalhes, teria que pesquisar. Não lembro nem se era F1.

Ainda sobre o Brabham em 1959, tem uma história curiosa, não sei se vc conhece, Jack liderava para ser campeão mas ficou sem combustível na última volta. Até aí tudo bem. Só que John Cooper não percebeu e quando o outro Cooper-Climax, o de Bruce McLaren (que por sinal naquela exata corrida se tornou o vencedor mais jovem da história, só batido 44 anos depois por Alonso), é que tinha vencido, e deu uma cambalhota em plena pista, para comemorar "a vitória de Jack Brabham". Depois olhou melhor e ficou com cara de bobo, esperando o Brabham, que acabou empurrando o carro pra chegada.