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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Carros Clássicos: Lotus 98T [Parte 2]

Novamente recebo um grande e-mail do leitor/colaborador, Sheldonn Reis.
Ele me mandou este excelente texto e estas magníficas fotos sobre a 'vida' do 98T/4.
Não viu a parte 1? Então clique aqui.
Fiquem com ele...

Lotus 98T parte II

Nos comentários que recebi por conta da postagem referente ao Lotus 98T muitos indagaram de onde tinha vindo o veículo. Venho nessa postagem solucionar de vez a questão a respeito da origem do modelo.

A história do Lotus Renault John Player Special 98T/4
O chassi nº 4 da Lotus Renault John Player Special 98T foi inaugurado no Grande Prêmio da Alemanha, no dia 27 de Julho de 1986, realizado no circuito Hockeinheimring e vencido por Nelson Piquet, que pilotava a Williams com o excelente motor Honda. A corrida inaugural do chassi nº 4 foi muito bem sucedida, pois o Ayrton terminou a prova na segunda colocação ficando “somente” 15’.437 atrás do primeiro colocado. O motivo da construção de um novo chassi para o veículo (lembrem-se que inicialmente foram construídos somente três exemplares, conforme expliquei no post anterior) foi o acidente sofrido pelo Ayrton na terceira volta do Grande Prêmio da França, realizado em Paul Ricard, no dia 06 de Julho do mesmo ano e vencido pelo leão Nigel Mansell, mostrando mais uma vez a força da equipe Williams Honda.

Ayrton Senna continuou utilizando o chassi nº 1 para provas de classificação e com esse equipamento conseguiu notáveis resultados, totalizando 8 pole positions ao longo de toda temporada que contou com 16 provas no total.

O Lotus JPS 98T4 foi guiado por Ayrton Senna nos últimos 7 Grandes Prêmios da temporada de 1986, largando na pole position em 3 ocasiões (GP da Hungria, Portugal e México), liderando 5 corridas e alcançando quatro bandeiradas, sendo duas em 2º (GP da Alemanha e GP da Hungria), uma em 3º (GP do México) e uma em 4º colocado (GP de Portugal). Esse modelo foi o Lotus mais potente de todos os tempos, alcançando a marca de 346.3 km/h na volta 53 do Grande Prêmio do México, realizado no Circuito Hermano Rodriguez, em 12 de Outubro do mesmo ano e vencido por Gerhard Berger com seu Benetton BMW. O Lotus JPS 98T/4 se aposentou na volta 43 do Grande Prêmio da Austrália realizado no Circuito de Adelaide em 26 de Outubro do mesmo ano e vencido pelo francês Alain Prost com seu McLaren-TAG com problemas no propulsor Renault Turbo e entrou para história tornando-se o último Lotus John Player Special a disputar um campeonato depois de 14 anos de patrocínio da marca Inglesa de cigarros.

O 98T/4 foi então vendido a um promissor colecionador dos Estados Unidos enquanto uma nova fábrica de motores para automóveis de corridas fora montada por Bruno, o então Engenheiro Chefe da Renault Sports. O veículo foi mantido na coleção sob condições severas de controle de umidade e foi regularmente conservado até retornar ao Reino Unido no ano 2000, oportunidade na qual fora enviado ao Team Lotus para minuciosa inspeção.

A caixa de marchas foi reconstruída, o sistema de aquecimento de água do motor foi montado ao longo de um novo sistema de detonação e todo o resto do veículo foi recuperado afim de que este ficasse pronto para retornar às pistas. O carro foi muito bem sucedido em testes no circuito de Hethel, logo após, no templo da velocidade, Silverstone, e por fim foi uma das estrelas do Festival da Velocidade de Goodwood (Goodwood Festival of Speed).

Um fato bastante interessante a cerca dos testes realizados no Lotus JPS 98T/4 depois de ter sido recuperado foi o depoimento de Nigel Mansell, que guiou o veículo em Silverstone por 6 voltas; ao sair do 98T/4 foi perguntado por Murray Walker (famoso narrador inglês que acompanha há muitos anos o circo da Fórmula 1) se poderia haver comparação entre aquele modelo e outros Lotus que o próprio Mansell já havia pilotado. Mansell visivelmente emocionado respondeu que aquele exemplar foi o melhor Lotus que ele já havia guiado e por isso, naquele momento, ele compreendera por que o Ayrton conseguiu ser tão bem sucedido com aquele modelo.

O veículo se apresentou novamente, desta vez em Goodwood no ano de 2002. O 98T/4 também foi uma das estrelas do Memorial Ayrton Senna em Donnington, Inglaterra em Julho de 2003, oportunidade na qual foi pilotado por 23 voltas inteiras sem qualquer problema mecânico e ainda se apresentou pela quarta vez em Junho 2004 e vem regularmente participando de vários eventos relacionados a Fórmula 1. O 98T/4 está sob os cuidados técnicos do renomado engenheiro Martin Roy, que trabalhou juntamente com Ayrton Senna durante a temporada de 1986.

Em 2003, a Brian James Trailer, empresa especializada na confecção de trailers, desenvolveu um trailer especial para transportar o 98T/4. Fora desenvolvido um jogo de tampas costuradas a mão que não permitiam a troca de ar no interior do trailer e o mantinha impermeável.

Somente quatro desses veículos foram produzidos; o 98T/4 foi o último da linha de montagem e também foi o último Lotus a ser pilotado por Ayrton Senna sob o belo patrocínio da John Player Special. Esse Lotus Renault bi-turbo produzia acima de 1.150 Hps a 13.000 Rpm, por isso é uma peça única na história tanto da Lotus quanto do Ayrton Senna, que o pilotou por mais de 4.345 km, e sempre será lembrado como um dos mais belos e potentes carros de formula 1 de todos os tempos.


















Lista de testes e GP's realizados pelo Lotus Renaut JPS 98T/4
















O Lotus Renaut JPS 98T/4 sendo apresentado no Festival da Velocidade de Goodwood em 2002


Ayrton Senna a bordo do seu Lotus Renaut JPS 98T/4 no GP da Austrália disputado no circuito de Adelaide


Nigel Mansell testando o Lotus Renaut JPS 98T/4 no circuito Silverstone na Inglaterra em 2001

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Carros Clássicos: Lotus 98T

Creditos totais a Sheldonn Reis

Prestando a minha contribuição ao excelente blog F1 nostalgia, propus ao Rianov a inauguração de uma nova sessão: Carros Clássicos. Tal sessão fora idealizada por mim e proposta ao Rianov, mediante seu interesse e aprovação decidimos em conjunto criar e postá-la.

Nenhum outro carro seria merecedor de inaugurar essa sessão que não fosse aquele que é considerado por muitos um dos mais belos carros que já desfilaram nos circuitos da fórmula 1, o Lotus 98T, equipado com motor Renault Turbo pilotado pelo mito Ayrton Senna na temporada de 1986.
Talvez muitos se perguntem por que todo frisson em torno desse veículo; além de ter sido o carro de fórmula um mais potente de todos os tempos (cerca de 1.000 Hps) a resposta poderia ser simplesmente traduzida em números. Com esse exemplar o Ayrton conseguiu a impressionante marca de 8 pole positions (GPs do Brasil, Espanha, San Marino, Leste dos EUA, França Hungria, Portugal e México respectivamente), 1 segunda posição de largada (GP do Canadá), 4 terceiras posições de largada (GPs de Mônaco, Inglaterra, Alemanha e Austrália respectivamente), 2 vitórias (Gps da Espanha e Leste dos EUA), 4 segundas posições de chegada (GPs de Mônaco, Bélgica, Alemanha e Hungria respectivamente) e 1 terceira posição de chegada (GP do México), terminando o campeonato de pilotos na honrosa quarta colocação somando XX pontos, ficando atrás somente do improvável campeão Alain Prost que guiava a McLaren e dos dois “melhores amigos” Nigel Mansell e Nelson Piquet, ambos pilotos da excelente Williams e levando a equipe à terceira colocação no mundial de construtores com XX pontos, atrás somente das mesmas McLaren e Williams. Por esses e outros feitos esse belo monoposto é digno de todo o nosso respeito bem como toda nossa admiração.

Um pouco de história:
A Lotus 98T foi desenvolvida a partir da Lotus 97T que disputara o campeonato de 1985. Dos quatro chassis construídos, três deles foram assinados por Ayrton Senna, então piloto da Lotus, que vinha em sua segunda temporada na equipe, e pelo seu companheiro de equipe Johnny Dumfries, contratado após a polêmica da recusa de Ayrton a ter como companheiro de equipe Warwick.
Desenhado por Gérard Ducarouge o chassi apresentava um cockpit menor que o carro do ano anterior, o Lotus 97T, isso se devia a uma mudança no regulamento desportivo que forçava a redução da capacidade do tanque de combustível para 195 litros. O propulsor era um novo motor Renault EF15bis Turbo, 6 cilindros em V, associado a uma transmissão Hewland manual de 5 ou seis velocidades.
O EF1bis aparecia em duas versões, o motor padrão e o motor “D.P.” que apresentava molas nas válvulas pneumáticas pela primeira vez. Ao final da temporada a Renault introduziu o EF15C revisado com um sistema mais apurado de injeção de combustível e com uma maior refrigeração dos cilindros retardando a pré-detonação do combustível, tornando dessa forma o carro mais econômico. É importante deixar claro que figuras poderosas desse período da história da Fórmula 1 eram largamente especulativas e a maioria dos construtores de motores daquela época raramente admitiam que os resultados dos seus testes comprovaram que o motor 1.5 L não geraria taxas de potência suficientes para utilizar turbo compressores a uma pressão acima de 4 bar para impulsioná-los, no entanto era largamente divulgado que o motor Renault EF15 produzia uma potência entre 1.200 Hp (890 KW) e 1.300 Hp (970 KW) a incríveis 5.5 bar de pressão de impulsão, mas esse continua sendo um dos segredos mais bem guardados do circo da fórmula 1 até hoje.
A caixa de marchas vinha em duas variações; a convencional de cinco velocidades e a nova de seis velocidades. As seis velocidades foi um grande avanço na caixa de marchas, porém o equipamento não era muito confiável, provavelmente por isso Senna sempre optava por correr com a caixa de cinco velocidades. Dumfries fora então incumbido de testar a caixa de seis velocidades, sem obter grande sucesso na seara da confiabilidade. Os componentes internos de ambas as caixas de marchas eram manufaturados pela Hewland, porém a caixa em si era desenhada e fabricada pela própria Lotus.
Outra notável inovação do 98T incluía um ajuste de altura em dois estágios, injeção de água através dos intercoolers, uma forma inaugural de acesso ao cockpit, também presente no 97T e um avançado micro computador que administrava o consumo de combustível.
Durante a temporada de 1986 da Fórmula Um, o paddock estava muito ávido por especulações a respeito da legalidade ou não do novo Lotus 98T. O crescimento dos rumores recaíam cada vez mais sobre Peter Warr, o então diretor executivo da Lotus, que por sua vez emitiu uma declaração oficial a imprensa com o intuito de estancar os rumores e pedindo inclusive as outras equipes que protestassem oficialmente contra o veículo, caso estas realmente tivessem alguma desconfiança sobre a legalidade do projeto, porém nenhum protesto fora apresentado.

Ficha técnica da Lotus 98T, 1986 pilotada por Ayrton Senna e Johnny Dumfries:
Desenhistas: Gérard Ducarouge e Martin Ogilvie;
Chassi: Fibra de carbono, monocoque em Kevlar com anteparos de alumínio;
Suspensão dianteira e traseira: haste de tração, amortecedores Koni;
Freios: Discos de Carbono Caixa de marchas: Hewland/Lotus, cinco ou seis velocidades, manual; Convergência dianteira: 1816 mm;
Convergência traseira: 1620 mm;
Comprimento total: 4800 mm;
Peso: 540 Kg;
Capacidade do tanque de combustível: 195 L; ]
Cabeçote e Bloco de alumínio, 6 cilindros em V;
Cambota de aço com 3 pinos;
Vareta com aço;
Pistões de liga leve;
Sistema de fechamento da válvula: distribuição pneumática;
Capacidade cúbica total: 1492 cc;
Número de cilindros: 6 a 90 graus;
Quatro válvulas por cilindro, DOHC, injeção eletrônica de combustível;
Taxa de compressão: 8.0:1 motor EF1 5C (7.0:1 para classificação, motor EF1 5B), 21.5 graus incluindo o ângulo da válvula;
Válvula de vazão: 29.8mm;
Válvula de exaustão: 26.1mm;
Turbo: Garrett (2), sem válvula de descarga para motores de qualificação;
RPM máximo: 13.000;
Peso do motor: 154 Kg com os turbos;
Sistema renix de gerenciamento do motor Potência em corrida: entre 3.7 e 4 bar, aproximadamente 900 hp;
Potência em qualificação: máximo de 5.2 bar ao final da sessão com o motor de qualificação EF1 5B, aproximadamente 1.200 hp;
Velocidade Máxima: 340 km/h.