quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Carros Clássicos: Lotus 98T

Creditos totais a Sheldonn Reis

Prestando a minha contribuição ao excelente blog F1 nostalgia, propus ao Rianov a inauguração de uma nova sessão: Carros Clássicos. Tal sessão fora idealizada por mim e proposta ao Rianov, mediante seu interesse e aprovação decidimos em conjunto criar e postá-la.

Nenhum outro carro seria merecedor de inaugurar essa sessão que não fosse aquele que é considerado por muitos um dos mais belos carros que já desfilaram nos circuitos da fórmula 1, o Lotus 98T, equipado com motor Renault Turbo pilotado pelo mito Ayrton Senna na temporada de 1986.
Talvez muitos se perguntem por que todo frisson em torno desse veículo; além de ter sido o carro de fórmula um mais potente de todos os tempos (cerca de 1.000 Hps) a resposta poderia ser simplesmente traduzida em números. Com esse exemplar o Ayrton conseguiu a impressionante marca de 8 pole positions (GPs do Brasil, Espanha, San Marino, Leste dos EUA, França Hungria, Portugal e México respectivamente), 1 segunda posição de largada (GP do Canadá), 4 terceiras posições de largada (GPs de Mônaco, Inglaterra, Alemanha e Austrália respectivamente), 2 vitórias (Gps da Espanha e Leste dos EUA), 4 segundas posições de chegada (GPs de Mônaco, Bélgica, Alemanha e Hungria respectivamente) e 1 terceira posição de chegada (GP do México), terminando o campeonato de pilotos na honrosa quarta colocação somando XX pontos, ficando atrás somente do improvável campeão Alain Prost que guiava a McLaren e dos dois “melhores amigos” Nigel Mansell e Nelson Piquet, ambos pilotos da excelente Williams e levando a equipe à terceira colocação no mundial de construtores com XX pontos, atrás somente das mesmas McLaren e Williams. Por esses e outros feitos esse belo monoposto é digno de todo o nosso respeito bem como toda nossa admiração.

Um pouco de história:
A Lotus 98T foi desenvolvida a partir da Lotus 97T que disputara o campeonato de 1985. Dos quatro chassis construídos, três deles foram assinados por Ayrton Senna, então piloto da Lotus, que vinha em sua segunda temporada na equipe, e pelo seu companheiro de equipe Johnny Dumfries, contratado após a polêmica da recusa de Ayrton a ter como companheiro de equipe Warwick.
Desenhado por Gérard Ducarouge o chassi apresentava um cockpit menor que o carro do ano anterior, o Lotus 97T, isso se devia a uma mudança no regulamento desportivo que forçava a redução da capacidade do tanque de combustível para 195 litros. O propulsor era um novo motor Renault EF15bis Turbo, 6 cilindros em V, associado a uma transmissão Hewland manual de 5 ou seis velocidades.
O EF1bis aparecia em duas versões, o motor padrão e o motor “D.P.” que apresentava molas nas válvulas pneumáticas pela primeira vez. Ao final da temporada a Renault introduziu o EF15C revisado com um sistema mais apurado de injeção de combustível e com uma maior refrigeração dos cilindros retardando a pré-detonação do combustível, tornando dessa forma o carro mais econômico. É importante deixar claro que figuras poderosas desse período da história da Fórmula 1 eram largamente especulativas e a maioria dos construtores de motores daquela época raramente admitiam que os resultados dos seus testes comprovaram que o motor 1.5 L não geraria taxas de potência suficientes para utilizar turbo compressores a uma pressão acima de 4 bar para impulsioná-los, no entanto era largamente divulgado que o motor Renault EF15 produzia uma potência entre 1.200 Hp (890 KW) e 1.300 Hp (970 KW) a incríveis 5.5 bar de pressão de impulsão, mas esse continua sendo um dos segredos mais bem guardados do circo da fórmula 1 até hoje.
A caixa de marchas vinha em duas variações; a convencional de cinco velocidades e a nova de seis velocidades. As seis velocidades foi um grande avanço na caixa de marchas, porém o equipamento não era muito confiável, provavelmente por isso Senna sempre optava por correr com a caixa de cinco velocidades. Dumfries fora então incumbido de testar a caixa de seis velocidades, sem obter grande sucesso na seara da confiabilidade. Os componentes internos de ambas as caixas de marchas eram manufaturados pela Hewland, porém a caixa em si era desenhada e fabricada pela própria Lotus.
Outra notável inovação do 98T incluía um ajuste de altura em dois estágios, injeção de água através dos intercoolers, uma forma inaugural de acesso ao cockpit, também presente no 97T e um avançado micro computador que administrava o consumo de combustível.
Durante a temporada de 1986 da Fórmula Um, o paddock estava muito ávido por especulações a respeito da legalidade ou não do novo Lotus 98T. O crescimento dos rumores recaíam cada vez mais sobre Peter Warr, o então diretor executivo da Lotus, que por sua vez emitiu uma declaração oficial a imprensa com o intuito de estancar os rumores e pedindo inclusive as outras equipes que protestassem oficialmente contra o veículo, caso estas realmente tivessem alguma desconfiança sobre a legalidade do projeto, porém nenhum protesto fora apresentado.

Ficha técnica da Lotus 98T, 1986 pilotada por Ayrton Senna e Johnny Dumfries:
Desenhistas: Gérard Ducarouge e Martin Ogilvie;
Chassi: Fibra de carbono, monocoque em Kevlar com anteparos de alumínio;
Suspensão dianteira e traseira: haste de tração, amortecedores Koni;
Freios: Discos de Carbono Caixa de marchas: Hewland/Lotus, cinco ou seis velocidades, manual; Convergência dianteira: 1816 mm;
Convergência traseira: 1620 mm;
Comprimento total: 4800 mm;
Peso: 540 Kg;
Capacidade do tanque de combustível: 195 L; ]
Cabeçote e Bloco de alumínio, 6 cilindros em V;
Cambota de aço com 3 pinos;
Vareta com aço;
Pistões de liga leve;
Sistema de fechamento da válvula: distribuição pneumática;
Capacidade cúbica total: 1492 cc;
Número de cilindros: 6 a 90 graus;
Quatro válvulas por cilindro, DOHC, injeção eletrônica de combustível;
Taxa de compressão: 8.0:1 motor EF1 5C (7.0:1 para classificação, motor EF1 5B), 21.5 graus incluindo o ângulo da válvula;
Válvula de vazão: 29.8mm;
Válvula de exaustão: 26.1mm;
Turbo: Garrett (2), sem válvula de descarga para motores de qualificação;
RPM máximo: 13.000;
Peso do motor: 154 Kg com os turbos;
Sistema renix de gerenciamento do motor Potência em corrida: entre 3.7 e 4 bar, aproximadamente 900 hp;
Potência em qualificação: máximo de 5.2 bar ao final da sessão com o motor de qualificação EF1 5B, aproximadamente 1.200 hp;
Velocidade Máxima: 340 km/h.
























14 comentários:

Sheldonn Rêis disse...

Meu amigo Rianov fiquei muito emocionado ao ver o meu trabalho exposto em seu blog! Muito obrigado pela oportunidade amigo.Gostaria somente de fazer uma pequena correção no texto; o Ayrton terminou a temporada de 1986 com 55 pontos e a Lotus com 58 pontos. Um abraço e mais uma vez muito obrigado. Ps: mais matérias interessantes estão por vir.

Edson Framil nistelrooybm@yahoo.com.br disse...

queria pedir um favor muito grande pra voce Rianov
quero saber se voce consegue me ajudar a achar uma imagem daquele mascotinho que esta em cima do nome do ayrton
sabe aquele dragaozinho?
eu ja procurei descobri que se chama stirella e e mascote de um ferro de passar da marca micromax que ´patrocinou a lotus em 86 e 87
me ajuda por favor
obrigado e parabens pelas fotos maravilhosas que voce acha

Anônimo disse...

Simplesmente fantástico!
Lindo carro, um monstro!

parabéns pela materia
Osmar

Rodrigo Zauli disse...

Esse carro tinha 2 turbos?

speed.king.thrasher disse...

Realmente d+++++
esse carro é um dos meus favoritos!

Ron Groo disse...

Rianov, me diga uma coisa com sinceridade. Existe alguns Lotus que não seja classico por um motivo ou outro?
Até os que foram mal nas corridas são bacanas.
Ps. Retirei daqui a foto do carro do Fitipaldi que tem um Mikey desenhado, eu procurava a muito tempo esta foto e nem sabia o nome do carro. Valeu!

António Barbosa disse...

Ron Groo destilando seu ódio em Ayrton como fez no blog do Capelli...

Sheldonn Rêis disse...

Meu amigo Edson Framil sinceramente eu não tenho conhecimento a respeito do dragãozinho, muito simpático diga-se de passagem, mas prometo-lhe fazer uma pesquisa mais apurada e o que encontrar mando para você.

Meu caro amigo Osmar obrigado pelos elogios à matéria, pesquisei bastante para postá-la e queria deixar-lhe animado, pois estou preparando mais matérias com carros igualmente clássicos.

Meu caro speed king faster concordo em gênero número e grau com você. Mais belo monoposto da fórmula 1.

Anônimo disse...

"É importante deixar claro que figuras poderosas desse período da história da Fórmula 1 eram largamente especulativas". Imagino que o texto seja uma tradução do inglês, e que "figuras poderosas" corresponda a algo "figures of power", cuja tradução é "números [ou valores] de potência". Falar em "figuras poderosas" não faz sentido algum. De todo modo, muito interessante e lindas fotos.

L-A. Pandini disse...

Lindíssimas fotos. As Lotus pintadas de preto e dourado foram os carros mais bonitos que a F1 já teve, na minha opinião.

Sheldonn Rêis disse...

Meu caro amigo que postou como anônimo. A sua postagem rewalmente me chamou a atenção para algo extremamente importante. Fiz um larga pesquisa na internet e em algumas revistas de época para reunir essas informações. Utilizei também um bom texto escrito em Inglês, do qual pinçei alçguns parágrafos. Porém com o seu comentário percebi que enviei ao Rianov a versão do texto final não revisada. Por isso faltaram alguns dados importantes e persistiu esse erro de tradução. Até o início da semana repassarei o texto corretinho para que dessa maneira não surjam mais impasses. Um grande abraço meu amigo e grato pela sua crítica.

Ao amigo L-a. Pandini concordo com você meu amigo em gênero, número e grau. Abraços.

Goncalo disse...

Mais um excelente post, na linha do que estamos habituados.
Ja agora porque não falar de tds os Lotus do Senna ?
Saudacoes do outro lado do atlantico.

Jonny'O disse...

Com a pintura John Player Special qualquer carro fica bonito,ainda acho o Lotus 72 e 79 os mais belos com as cores da marca de cigarro.

Pra mim o Lotus 98T é um classico graças ao talento de Senna ,ao meu ver esse carro já dava sinais de defasagem de projeto frente a Williams e Benetton e ao já clássico Mclaren-Porsche que já vinha para sua terceira temporada com poucas modificações .

Mas é um classico ,isso é fato.

Achei ótima idéia o blog criar esta nova serie !

Parabéns ao Rianov e ao Sheldonn Reis .

Anônimo disse...

Ok Riavov !muito bom ,tinha 12 anos e vi o Senna ganhar o GP da Belgica com esse carro,a falecida Lotus era uma equipe especial com relação a inovações realmente,por favor faça um a reportagem com Lotus 79 ,realmente 1 carro afrente de seu tempo na F!!! abraços