sexta-feira, 22 de julho de 2016

Sem emoção, com emoção

Mônaco, 1975.

Tranquilo, calmo, sereno

Rock n' Roll, agressivo, Fórmula 1

- Segunda foto "roubada" do Facebook do Cezar Fittipaldi.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O erro de Brabham

Brabham cruza a linha de chegada e marca bons pontos. Mas ele está possesso. Garanto!

Se eu pedisse uma prova em Mônaco que o pilotou perdeu a vitória nos metros finais, já quase na bandeirada, talvez muita gente se lembrasse do caso do sueco-jamaicano Björn Wirdheim, na Fórmula 3000. Já se eu pedisse um piloto que bateu nos metros finais após ter se atrapalhado por um retardatário, perdendo a vitória, mas ainda assim chegando em segundo, acredito que muitos de vocês se lembrariam de JR Hildebrand, nas 500 Milhas de Indianápolis.

Todavia, o caso de hoje se encaixa em ambos os perfis. Trata-se da vitória perdida por absoluta bobeira do tricampeão Jack Brabham.

Mônaco, 1970.

As chuvas que caíram na pista monegasca nos treinos livres acabaram por não terem emborrachado tanto a pista quanto os pilotos gostariam. Todavia, na hora da prova, sol estava raiando no principado e a corrida foi disputada em pista seca.

Largada da prova. Amon sai bem, mas Stewart é quem lideraria. Brabham vem por dentro

Stewart era pole position, Amon o segundo, Hulme o terceiro e Brabham fechava a segunda fila. Rindt, de quem você ouvirá falar ainda neste post, saía de uma modesta oitava posição.

A prova começou a mil, com os carros não aliviando o da direita. E como de praxe naquela época, as quebras começaram a aparecer. Na volta 12 Ickx abandonava a corrida quando disputava a quinta posição. Dez voltas depois, Beltoise, agora em quarto, saia da disputa com problemas no câmbio. Nesta mesma passagem, Brabham forçava para cima de Amon e conseguia a segunda posição. Cinco voltas para frente era a vez de Stewart enfrentar problemas com seu Tyrrell. Com isso, Sir Jack herdava uma tranquila primeira posição.

Economizando, levou a prova em banho maria até quase o final, quando Amon e Hulme também enfrentaram problemas com seus bólidos. Há 18 voltas do fim, Rindt assumiu a segundo posição nove segundos atrás de Brabham, iniciando uma das maiores perseguições da história da Fórmula 1.

Tanto Brabham quanto Rindt andavam no limite, forçando ao máximo cada parafuso de seus carros. Rindt, mesmo com uma precária e defasada Lotus 49C conseguia tirar terreno de Brabham, que com o modelo 33 ainda conseguia segurar a onda.

Sem conseguir ter uma real chance de ultrapassar, o máximo que Rindt conseguia fazer era pressionar o experiente Brabham para ele cometer um erro. Já tricampeão, tal fato acontecer seria algo improvável. Mas se o jovem Jochen quisesse alguma coisa, essa era a única opção disponível no momento.

Brabham era um dos ídolos daquela geração

Na última volta, após saírem do "Túnel" e fazerem a "Chicane do Porto", pegaram a rápida "Tabac" à esquerda e aceleraram na "Reta Oposta", local hoje onde se situa os "Esses da Piscina". Só quem 1970 aquela Mônaco era mais veloz, só restando essa reta para a última curva da pista, a famosa "Curva do Gasômetro".

E foi nela que, por, talvez um excesso de zelo em fechar a porta para Rindt, ou uma atrapalhada que Denny Hulme, o retardatário, lhe deu, Brabham se moveu fora da linha ideal, indo para a direita, pegando sujeira, travando os freios e não mais conseguindo parar.

Veja a volta nesta incrível filmagem detalhada do exato momento do impacto. O que impressiona é a qualidade da imagem daquela época, muito boa para os padrões usuais, possuindo até helicóptero para filmagem.

Quem mais percebeu que o narrador foi avisado que o Brabham tinha ficado e ele não venceria mais a prova?

Mas uma coisa que a transmissão não mostrou foi como Brabham saiu daquele imbróglio. A internet diz, quase em sua totalidade, que Brabham meteu a ré e prontamente cruzou a linha de chegada.

Todavia, tais argumentos não correspondem 100% com a realidade. Brabham cruzou a linha de chegada 23 segundos atrás de Rindt, tempo suficiente para ele ser socorrido por fiscais de pista e ajudantes do local. Veja:

Brabham pendurando-se nos freios

Logo após o acidente com Courage passando ao fundo

Brabham parece estar olhando para seu pneu dianteiro esquerdo

A asa dianteira parece ter engaixado e precisou de ajuda extra para consertar

Pronto para sair... foram pouco mais de 20s, mas suficiente para ajudantes se aglomerarem

Após a grande c@g@d@, cruza a faixa final em segundo

Revista MotorSport de época relatando a última volta

Outro ponto bacana a se destacar foi a volta final mágica de Rindt, que conseguiu cravar, com sua caquética Lotus, o tempo de 1min23s2, 2s mais veloz que a melhor volta do ano anterior, feita por Stewart, obtendo o título de volta mais rápida da corrida. Reveja o vídeo acima mais uma vez e repare na tocada alucinada de Rindt.

Brabham, apesar de ter dominado esse começo de temporada, não conseguiu se manter entre os primeiros e perdeu muito ritmo após a corrida da Inglaterra. Ao contrário, Rindt vinha em uma fase estupenda de cinco vitórias na temporada (somente pontuou quando venceu) e foi campão mesmo após sua trágica morte nos treinos do GP da Itália, em Monza, quatro provas antes do término do campeonato. Brabham se aposentaria no fim do ano.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Empréstimo de bico?

Peterson lidera seu ex-companheiro de Lotus, Mario Andretti

O sueco Ronnie Peterson não estava brilhando em 1976. Após um vice-campeonato em 1971 e uma terceira posição em 1973 – além de várias vitórias, poles e pódios até então nestes seus seis anos de Fórmula 1, saiu da Lotus no começo da temporada para se reintegrar à March, escuderia pela qual começou a fazer sucesso no começo de carreira.

Todavia, aquele "começo de fim de temporada" de 76 reservava boas novas para Peterson. Após marcar seu primeiro ponto no ano somente no GP da Áustria, o 11º GP da temporada, fez a pole position em Zandvoort, na Holanda (12º GP), e venceu em Monza, na Itália (13º GP). Uma bela reviravolta para um começo tão apagado.

Todavia, dando uma olhada nas fotos deste final de semana, eis que deparo com a seguinte sequência de fotos:

Ronnie se enroscando com a Boro de Larry Perkins...

Passeio na terra
 
Cara de desolado lembrando que a equipe só trouxe um bico para a corrida

Percebe-se que este carro de treino da March - visível pelo "T" após o "10" na lateral - sofreu um acidente e ficou sem o setor dianteiro do carro (mais conhecido como bico mesmo rs).

E, apesar de Ronnie ter sofrido com patrocínios e ter corrido quase todas as provas com pinturas diferentes, em minha opinião a John Day Model Cars ganhou uma grande visibilidade absolutamente sem custo nesta etapa. Vou contar a minha versão da interpretação, pois não achei nada que comprovasse ou desmentisse esse fato a seguir. Quem souber ou tiver uma opinião distinta, os comentários estão abertos a debates.

Acredito que March Engineering, equipe de Peterson, não tinha mais do que um bico para esta corrida. Normal quando se trata da década de 70 e uma equipe do meio do grid. Todavia, para não ficar sem correr, pediu um bico emprestado para a sua irmã, a March Racing, de Hans-Joachim Stuck, que, este sim, cansou de correr com a John Day Model Cars.

E não é que nesse imbróglio todo Peterson fez a pole position da prova e despachou toda a concorrência nas primeiras voltas da corrida? O sueco foi abrindo larga vantagem até seu 761 ir perdendo rendimento, junto com pressão de óleo, e parar na volta 52.

Mas a pergunta final é a seguinte: Peterson pegou, ou não, o bico emprestado do carro de Stuck?

Nos treinos, antes da panca
Na corrida, tudo tranquilo... liderança fácil

Rendimento foi caindo aos poucos

Brigando demais com o carro, que perdia rendimento. Na foto, subindo na zebra...

... e botando a barata de lado
Fitas pretas, um 10 meio estrando e o Duckhams saindo... colado e encaixado às pressas?
Modelo muito mais limpo de Stuck
Na corrida seguinte, com um layout muito mais ornado, venceu o GP da Itália, em Monza

E para ajudar - ou complicar ainda mais, aí vai uma fotinha de três etapas anteriores, na França. Ficou combinando esse bico, né?

Ronnie Brambilla

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Fulvio Maria Ballabio na Tecno

Ah, vai, mandei bem no Photoshop!

Vocês me surpreendem. E me surpreendem para o bem! Marcio Cordeiro, no Facebook, e Carlos Bragatto, aqui nos comentários (com Renato Breder na cola), acertaram.

A foto, editada por mim para parecer tão antiga quanto o carro, teve dois "erros" que entregaram o jogo: o capacete atual e a câmera tipo ‘Go Pro’ ali atrás, no aerofólio.

Mas Rianov, quem é então? Nada mais, nada menos, que ele:

Grande Mickey Mouse fazendo presença no capacete de Fulvio Maria Ballabio

Fulvio Maria Ballabio, herdeiro da Editora Mondadori, detentora dos direitos de publicação das revista Walt Disney na Itália, também andou no evento de Giancarlo Minardi, mês passado, em Ímola. O Historic Minardi Day foi incrível e você pode constatar isso aqui neste vídeo.

O carro que Ballabio andou foi o Tecno PA 123 que Derek Bell e Nanni Galli pilotaram na temporada de 1972 (Chris Amon também andou na versão evoluída deste carro no ano seguinte). Esse carro é comumente visto em corridas de carros históricos.

O mesmo Tecno PA 123 andando no principado de Mônaco
 
Quem acompanha o blog há tempos já viu pingar por aqui a história do F.M Ballabio. Certa vez mandei alguns e-mails para ele e obtive resposta! O mote central da conversa era seus testes - esses sim reais - com a Spirit em 1984. O primeiro deles, inclusive, se deu no Rio de Janeiro, onde ele e o nosso bicampeão, Emerson Fittipaldi, andaram juntos. Esse seria o último teste da carreira de "Rato" na Fórmula 1.

Ballabio levava o Pateta no Motor e o Mickey no bico da Spirit Hart em Jacarepaguá

Senti um pouco de ódio no coraçãozinho de Ballabio, onde ele culpava a federação italiana por não ter conseguido sua Super Licença e, em consequência, a vaga como titular da equipe. Segundo ele, a "sua Itália" preteriu Mauro Baldi.

"A CSAI (Commissione Sportiva Automobilistica Italiana) me negou o pedido de entrada da Super Licença. Essa foi uma jogada em virtude de favores políticos, promovendo Mauro Baldi", disse Ballabio.

"No GP Brasil de 84, Baldi fez tempo de classificação pior que o de Emerson e na corrida, seus tempos eram parecidos com o meu. E olha que o carro já estava muito mais evoluído do que no inicio do ano", completou Fulvio Maria.

Ballabio ficou com a 21ª  (1min40s25) e penúltima no teste do Rio. Emerson foi o 17º (1min37s20)

Calor carioca obrigava o cansado Hart a respirar sem cobertura para não ferver. Aqui, com Fittipaldi no volante

Desafio impossível do Rianov

Simples: piloto, carro, pista e ano