sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Os 5 de quê?: As melhores estreias na Formula 1

Quem ataca novamente no F1 Nostalgia é o Speeder_76 do Excelente Blog Continental Circus, fique com ele...

Se há uns tempos atrás falei dos que tentaram ganhar, nem que fosse uma corrida para amostra, na Formula 1, e não conseguiram, hoje falo daqueles quer tiveram uma entrada na categoria máxima… de espantar!

Eis os cinco escolhidos, pela ordem decrescente:

5 – Jean Alesi

Em Junho de 1989, Alesi era um prometedor piloto de Formula 3000 europeia, quando Ken Tyrrell, que estava em conflito com Michele Alboreto, procurava um substituto. Tinha rapidez, e como Tyrrell tinha agora um bom patrocínio, poderia catapultá-lo, sem problemas, na ribalta. E logo na sua prova caseira!

Se nos treinos, Alesi ficou na 16ª posição da grelha, conseguindo uma qualificação que nessa altura era difícil, a corrida foi diferente. Mas os observadores ficaram surpresos quando o viram a andar consistentemente entre os primeiros lugares, chegando até a rolar na segunda posição da corrida! No final, o piloto francês contentou-se com o quarto lugar, e apresentava-se ao mundo. No final daquele ano, conseguiria oito pontos, e o nono lugar do campeonato, em apenas oito corridas.


Jean Alesi com sua Tyrrell no GP da França em 89


4 – Johnny Herbert

Herbert é um caso especial. Um prometedor piloto nas categorias de base, teve um pavoroso acidente na ronda de Brands Hatch na temporada de 1988 da Formula 3000. Teve uma longa recuperação, e ainda em convalescença, recebe a notícia de que seria piloto da Benetton para 1989, cortesia de Peter Collins, seu amigo e mentor. Muitos pensariam que ele não estaria em forma para a primeira corrida, disputada no calor de Jacarepagua, no Rio de Janeiro. Mas surpreendendo tudo e todos, não só, conseguiu o décimo tempo na grelha, e levou o carro até à quarta posição final, a dez segundos do vencedor, Nigel Mansell, e a pouco mais de um segundo de um pódio. E para melhorar as coisas, ficou à frente do seu companheiro, Alessandro Nannini.

Contudo, e apesar de ter conseguido mais dois pontos em Phoenix, a exigência de conduzir um Formula 1 levou a melhor e depois de uma não-qualificação no Canadá, foi substituído pelo italiano Emmanuele Pirro. Herbert ainda voltou para conduzir o Tyrrell em Spa-Francorchamps e no Estoril, na ausência de outro dos grandes estreantes, Jean Alesi.


Johnny Herbert fazendo bonito no GP Brasil de 89


3 – Mário Andretti

Andretti, um ítalo-americano que chegou a terras do Tio Sam em 1955, já era em 1968 um dos melhores jovens pilotos das competições “open wheels” nos Estados Unidos, mas ele tinha o sonho de conduzir um Formula 1. Em 1966, conheceu Colin Chapman em Indianápolis, e o mítico construtor britânico lhe disse que tinha um lugar à sua espera “quando o momento fosse oportuno”. Em 1968, Andretti disse que estava pronto para correr, e Chapman deu-lhe um terceiro Lotus 49.

Uma primeira tentativa, em Monza, foi frustrada, pois a CSI (Comission Sportive Internationale) proibia a participação do piloto em duas corridas em menos de 24 horas. Sendo assim, decidiu apenas participar na prova seguinte, em Watkins Glen, onde o conhecimento da pista e do carro, aliado ao tempo que se fazia na altura, fez com que alcançasse uma surpreendente pole-position! No dia da corrida, 93 mil pessoas foram a Watkins Glen, muitos deles para verem o que um "outsider", Andretti, poderia fazer contra o "establishment" da Formula 1. A corrida começou com Andretti na frente, mas no final da primeira volta, Stewart tinha o passado e conquistara a liderança. Na volta 14, o bico do seu carro parte-se, e cai para o fim do pelotão, e na volta 32, a embraiagem cede e tem de desistir. Mas o mundo da Formula 1 ficava a conhecer um piloto que alcançaria o título mundial dez anos depois, ao volante do lendário Lotus 79.


O grande Mario Andretti nos 'pits' da Lotus em Watkins Glen 68


2 – Lewis Hamilton

Lewis Hamilton assinou pela McLaren no final de 1998, aos 13 anos, com o claro objectivo de ser o primeiro piloto de Formula 1 de origem africana. A sua trajectória nas categorias de base foi recheada de sucessos, que incluíram um título na Formula 3 Euroseries, e na GP2, em 2006. No inicio de 2007, quando foi anunciada a sua estreia na Formula 1, ao lado de Fernando Alonso, muitos esperavam que iria ter um bom ano de estreia, mas que não iria disputar o título contra Alonso, Raikonnen ou Massa…

E na Austrália, confirmou as expectativas, ao se classificar na quarta posição nos treinos, não muito longe do “poleman”, Kimi Raikonnen. No dia da corrida, fez uma prova sólida, sem cometer erros de maior. No final, o terceiro lugar, atrás do vencedor, Kimi Raikonnen, e de Fernando Alonso, indicaria que ele iria ser, no mínimo, o principal candidato a “Rookie do Ano”. Mas ninguém poderia esperar que à medida que a época decorria, iria ser isso, e muito mais…


Lewis voando por cima da zebra em Melbourne 07


1 – Jacques Villeneuve

Tal como Mário Andretti, teve uma carreira feita nos Estados Unidos, mas com maior palmarés. No início de 1996, Jacques, filho de Gilles, tinha no bolso o título da CART, acompanhado de uma vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, o primeiro canadiano a fazê-lo. Isso foi o suficiente para que Frank Williams lhe concedesse um teste, e pouco tempo depois, lhe estender um contrato com a marca para alcançar aquilo que o seu pai nunca conseguiu: o título mundial.

Na pista de Melbourne, que se estreava na Formula 1 no início de 1996, Villeneuve, sem nada a perder e com muito a provar, mostrou a sua fibra de campeão: fez logo a pole-position, batendo o seu companheiro de equipa, Damon Hill.

Na corrida, Villeneuve colocou Hill em sentido durante boa parte da corrida, mesmo quando após o segundo reabastecimento, perdeu o controle do carro na primeira fila, e Hill tentou ultrapassá-lo. Mas quando o seu carro sofreu um problema de óleo, a equipa decidiu que ele devia abdicar a vitória em favor do piloto inglês, e pensar na equipa. O segundo lugar foi excelente, e para muitos, o canadiano tinha sido o vencedor moral desse Grande Prémio, e a sua exibição fazia jus a aquelas que o seu pai fazia 15 anos antes…


Também em Melbourne, Villeneuve dá um passeio na grama em 96

7 comentários:

Sheldonn Rêis disse...

Mario Andretti assombroso. Queria ter acompanhado esse piloto. Belo post Rianov.

fidalgo disse...

Giancarlo Baghetti venceu a sua primeira corrida na F1. Foi no GP de França de 1961.

Hugo Becker disse...

Uma das minhas maiores decepções na Fórmula-1 é o Jacques Villeneuve. O que esse cara pilotou entre 1996 e 1997 foi um absurdo. E de repente, ele embarca no projeto furado da BAR de David Richards e simplesmente "desaprende" a pilotar...

Aliás, a BAR só cresceu quando Villeneuve e Richards saíram de lá... impressionante.

Ótimo post da dupla Rianov/Speeder.

Janus disse...

Concordo com o fidalgo, mas o Baghetti provavelmente é Hors Concours quando falamos de estréias, por isso não está nessa lista ... ;)

Aliás, ele não só venceu na sua estréia como venceu as suas 3 primeiras corridas de F1 - duas eram extra-campeonato, mas na época quase tão concorridas quanto as que valiam pro mundial.

Ituano Voador disse...

Olha, Rianov, também acho que a estreia do Baghetti foi superior, afinal, ele ganhou na corrida de estréia. E tem um detalhe: antes de estrear oficialmente na F1, ele correu dois grandes prêmios não-oficiais, os de Siracusa e de Nápoles - e ganhou os dois (correndo contra gente como Clark, Hill, Brabham e Bandini)! Ou seja, pode-se dizer que o Baghetti ganhou suas três primeiras corridas de F1!

Gustavo disse...

Lembrei também da estréia do Irvine, em Suzuka de Jordam, quando ele ultrapassou o Senna e tirou a volta de desvantagem, coisa que o brasileiro não conseguiu assimilar e o fez tomar uma atitude impulsiva e socar o norte-irlandês

juka disse...

o villeneuve era genio, fez opções erradas na carreira e como todo ser humano decaiu com o tempo. Na época eu já torcia pelo Shumi, mas hoje reconheço que o canadense foi um dos melhores que já passaram pela f1. ótimo post.