terça-feira, 23 de setembro de 2008

O que você esta fazendo ai ?: Fulvio Maria Ballabio na Spirit

A alguns dias atrás, entrei em contato com Fulvio Ballabio, piloto italiano que quase correu na F1. Ele me contou um pouco de sua vida e como foram seus testes com a Spirit e sua carreira nos EUA e nos barcos.
Contarei a vocês hoje a tentativa de Ballabio ingressar na F1.
Em 83, já beirando os trinta anos, Fulvio foi para a F2 correr o campeonato com um velho carro da AGS, nas primeiras etapas, ele não se adaptou bem ao carro, mas com o ganhar de ritmo, sempre ficava nos Top 7 na parte final do campeonato. Entre seus concorrentes na F2 em 83 estavam: Jo Gartner, Christian Danner, Philippe Alliot e François Hesnault, todos estes conseguiram uma vaga na F1, e Ballabio?
No inicio de 84, com a verba do empreendimento de seu pai, a distribuidora Mondadori (detentora dos direitos de publicação das revista Walt Disney na Itália), Ballabio conseguiu alguns testes com a Spirit F1. O primeiro deles foi em Jacarepagua, onde as equipes vinham para o Brasil realizar testes coletivos, Ballabio pilotou junto com Emerson Fittipaldi a Spirit Hart 101.
Marcando a 21ª e penúltima colocação, Ballabio fez seu melhor tempo em 1'40"25, enquanto Fittipaldi fez 1'37"20 e ficou com o 17º tempo. Ballabio disse que o carro era realmente ruim, o motor até que tinha alguma potência, mas o chassi... era terrível. Segundo ele o carro usava os motores refugados pela Toleman e era 40km/h mais lento que o Renault de Tambay, que foi o primeiro nos testes. Mas, para Ballabio, "já estava ótimo poder andar em um F1". Quando perguntado sobre Fittipaldi, Ballabio respondeu que, ele, depois de algumas voltas no circuito, estava bem desanimado, pois o carro era realmente ruim. Seu irmão, Wilson, foi quem me deu as maiorias das dicas do traçado.
Semanas depois, Ballabio testou a Spirit, agora pintada de vermelho, em Mugello, Brands Hatch e Monza, e, segundo ele, se saiu muito melhor, mas a CSAI (Commissione Sportiva Automobilistica Italiana) negava o pedido de entrada da Super Licença, e em virtude de favores políticos, promovia outros pilotos italianos, tal qual, Mauro Baldi, o ganhador da vaga na Spirit. De acordo com Ballabio, a CSAI continuou aprontando das suas ao também negar a Super Licença para Alessandro Nannini em detrimento a Pierluigi Martini em 85.
Ainda em Fevereiro, Fulvio perde o pai com um infarto, e desiste de vez de ingressar na F1.
"No GP Brasil de 84, Baldi fez tempo de classificação pior que o de Emerson e na corrida, seus tempos eram parecidos com o meu. E olha que o carro já estava muito mais evoluído do que no inicio do ano"
Em 85 Fulvio parte para os EUA, onde corre na IMSA e na Cart, mas esta já é outra história...



Fittipaldi andando na "caquética" Spirit



O patrocínio do Topolino(Mickey) e Goofy(Pateta) vinham da Mondadori, empresa da família Ballabio



Fulvio fez o 21º tempo e só ficou atrás de Moreno com a Lotus.
[Colaboração da foto: L-A. Pandini]



Com um carro mais acertado, Ballabio se dá melhor nos testes na Europa. Aqui é Brands Hatch



Monza



GP Brasil de 84. Nem Emerson e nem Fulvio, quem corre para a Spirit é Mauro Baldi



GP da Cart em Miami 87. Depois de um desentendimento com a CSAI, Ballabio parte para os EUA



F3, F2, F1, IMSA, Cart, Rali, Motocross, corrida de barcos, Kart, entre outros. Ballabio foi bem eclético em sua carreira. Segundo ele, mais de 500 corridas no currículo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Fora de Série: Trofeo Indoor Formula 1 92 e 93

Dando continuação ao Bologna Motor Show, vamos à 92, com a primeira participação brasileira na competição.
Em 92 tivemos a participação da Lotus, novamente com o inglês Johnny Herbert. Da BMS Dallara com J.J. Letho e o estreante no Trofeo, Michele Alboreto. A maior campeã do torneio, a Minardi, vinha com uma nova dupla, era o italiano Alessandro Zanardi e o brasileiro Christian Fittipaldi. Emanuele Naspetti estava inscrito com sua March, mas não compareceu ao evento.


Letho começa vencendo. Primeiro passa por Zanardi, ...



... depois encara e vence Fittipaldi. Se classifica para a final.



Pela outra chave, Herbert vence Alboreto e Zanardi (repescagem). Na final ganha de Letho e dá o último título para a Lotus numa competição de F1.


93 tinha tudo para ser o maior Trofeo desde então. Pierluigi Martini, que tinha sido vice campeão em 88, estava de volta a competição, como sempre pela Minardi. A BMS Lola vinha com Alboreto e Fabricio Barbazza, que, em 93 tinha feito o "milagre" de chegar duas vezes a zona de pontuação com a Minardi e já tinha participado da competição em 88. Outra equipe que estreava era a Jordan, seus pilotos eram Vittorio Zoboli, futuro piloto de testes da equipe, e Rubens Barrichello, correndo em seu ano de estreia no mundial. Para a festa ficar completa, faltava uma grande equipe na competição. A Ferrari estava pronta para correr em Bolonha, não fosse uma quebra de cambio do carro de Jean Alesi e da desistência de Berger. Com as Ferraris em "quadra", a competição iria ficar bem mais interessante.


Zoboli mesmo perdendo para Barrichello, consegue o 3º lugar



Martini elimina Alboreto e faz a final com Barrichello, ...



... mas é o brasileiro que fica no lugar mais alto do pódio

domingo, 21 de setembro de 2008

Promoção acerte e ganhe: Voltando de Bora Bora

E temos um ganhador!
O gatilho mais rápido do Oeste é, não não, melhor dizendo, o gatilho mais rápido do Nordeste é Felipe Portela, de Fortaleza, Ceara. Logo na primeira resposta ele já matou a charada. Tú é rápido em Felipe!

O piloto era Max Wilson testando a Williams FW20 em Magny-Cours, França, em 98. Max era o piloto oficial de testes da equipe, e o teste consistia em acertar o carro para o GP de Luxemburgo em Nurburgring, pista que tem características semelhantes a Nevers. Outro que também testou o carro nestes dias foi o colombiano Juan Pablo Montoya.
Montoya andou mais no carro e fez o melhor tempo nos três dias de testes, seu melhor tempo foi 1'16"860. Já o brasileiro marcou o melhor tempo em 1'17"810. Frentzen e Villeneuve não participaram do teste.

Confira a lista de acertadores:

Felipe Portela
Fabio
Fabio Mandrake
Eduardo Azeredo
Adriano Wagner
Danilo Fávero
Leandro Briese
Leandro Verde
Ricardo Santos
Edson Framil
Nuno Kopio
Manoel Beltrão
Antonio Barbosa
Arthur Simões
Elton Alonso
Speed King Thrasher
Gustavo

Parabéns a todos que acertaram, e um ainda maior para o Felipe que foi o primeiro a acertar e ganhou a foto.


Legião da F3000 no final de 97: Max Wilson, Juan Pablo Montoya, Soheil Ayari e Nicolas Minassian. Todos eles em seus primeiros contatos com um F1. Minassian ainda corria na F3, mas já iria correr na F3000 em 98



Wilson na Williams. Reparem o nome do circuito ao fundo...



Juan Pablo Montoya testando o FW20. Aqui não é em Nevers, mas sim na Catalunya.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Promoção acerte e ganhe: Indo para Bora Bora

Olá pessoal,

O F1 Nostalgia vai premiar você!
Como estou indo passar o fim de semana em Bora Bora, resolvi desafiar vocês novamente.
O primeiro a acertar a resposta tem direito ao premio. Para ganhar a promoção, basta você acertar o piloto, equipe, modelo do carro, ano e a pista, ou seja, uma resposta COMPLETA.
O desafio é até domingo, caso não tenhamos um acertador que dê a resposta completa, considerarei a que chegar mais próxima.
Só será permitida uma aposta por pessoa e a participação é valida de qualquer parte do mundo.
Postagens anônimas favor colocar algum nome que o identifique. Não esqueçam do colocar o E-mail na resposta

Comentários moderados para não ajudar na resposta!


Eis a foto



O resultado sai Domingo. PARTICIPE!

O acertador escolhera uma entre essas 3 fotos. Ele receberá em sua casa, a foto revelada em 25x20 em alta definição!








Loucuras, humor e acasos: Asas pra que te quero

Com o passar dos anos, a F1 foi buscando novos avanços, e talvez, um dos mais cruciais, foi a adoção dos aerofólios. No inicio era uma coisa bem artesanal mesmo, duas hastes presas no chassi com uma prancha em cima, nem ao certo os engenheiros sabiam o que estavam fazendo, iam na base da tentativa. Com o passar dos anos a coisa foi evoluindo e foram surgindo novos experimentos, uns, meio estranhos, outros, totalmente estranhos. Acompanhe agora algumas dessas maluquices aerodinâmicas.



Atwood voando com sua BRM em Nurburgring. Nem os aerofólios impediam o vôo



Bruce McLaren nos treinos de Mônaco 69


Stewart em Kyalami 69. As 3 asas renderam uma vitória para o escocês.



Estranha frente da Ferrari de Regazzoni



BRM bicuda de Jo Siffert


Merzario na Ferrari em 72. 1º carro bigorna da história?


Brabham para a Indy 500 em 72. Já sei de onde veio a inspiração da Williams


Stewart em 73 com uma estranhissima Tyrrell. Treinos para o GP de Paul Ricard



Emmo testando usa traseira ultra baixa em Nivelles 74



Gorila de skate? Brambilla na famosa March "Skateboard". Silvertone 75



Nova asa traseira da McLaren para Mass nos treinos de Monza em 76



Hunt em Jarama 77. Duplo aerofólio dianteiro



Andretti testando uma esquisita Lotus em Dijon-Prenois 79



Lauda nos primeiros testes do ano. Argentina 79



Gilles Villeneuve na controversa asa traseira da Ferrari em Long Beach 82



Marc Surer testando a Arrows em 83



Raul Boesel com a Ligier de dupla asa traseira em Mônaco 83



Famosa Tyrrell "Boomerang". Alboreto em Zeltweg 83



Pegue o bandido! Ram de 83



Senna testando Toleman com dupla asa traseira em Jacarepagua 84. Ao fundo vemos Prost repousando



Mansell com uma pouco usual asa traseira para rasgar as retas de Hockenheimring em 88



Senna testando a McLaren em Monza 90

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Projetos não concretizados: Ferrari 312T8 Eight Wheeler e Lotus 78 Six Wheeler

Ferrari 312T8 Eight Wheeler

Gerou um reboliço no meio especializado esse carro. Denominado Ferrari 312T8, o carro tinha 8 rodas (!), 4 na frente como no famoso Tyrrell P34, e 4 atrás como no March 2-4-0 ou na Williams FW08D. Essa foto saiu em várias revistas em no final de 75 e inicio de 76, dando como verídico o fato. Só que, quando se perguntava aos "paparazzi" de plantão de Fiorano, ninguém nunca tinha visto aquele carro, e ninguém sabia quem tirou aquela foto.
Anos mais tarde, a Ferrari veio a público informando que o carro nunca foi construído, mas foi pensado pelos projetistas da Ferrari.


Suposto teste de Clay Regazzooni na Ferrari 312T8. Montagem



A empresa de brinquedos Tamiya chegou a construir uma miniatura do projeto

Lotus 78 Six Wheeler

Igualmente estranha a Ferrari, essa Lotus também nunca existiu, foi uma pegadinha criada pela revista francesa AUTOhebdo em 76, para o April Fools, o nosso 1º de abril.


1º de Abril da AUTOHebdo. Suposta Lous 78 de 6 rodas


Outros carros de 6 rodas pelo mundo.


Billy de Vore nos preparativos para Indianápolis em 48, Chegou em 12º com seu Pat Clancy de 6 rodas


Montagem dos mecânicos da Lotus, a última roda está solta



Projeto francês para correr em Le Mans em 79. FIA proibiu.

domingo, 14 de setembro de 2008

GP's históricos: Espanha 1986

De volta ao mundial da F1 depois de 5 anos, o GP da Espanha voltava em grande estilo ao calendário da categoria em 86, com o novíssimo circuito de Jerez de la Frontera.
Depois de uma dobradinha brasileira no GP Brasil, o circo vai a Espanha, onde corre a 2ª prova do campeonato.
Dominando todos os treinos, Senna com sua Lotus negra e dourada consegue sua 2ª pole position no ano. Ao lado dele, está seu compatriota, o piloto da Williams, Nelson Piquet. Mais atrás na tábua de classificação vinham Mansell, tambem de Williams, e a dupla da McLaren, com Prost em 4º e Rosberg em 5º.
No domingo, Senna faz uma excelente largada e facilmente se desgarra de Piquet, o mesmo não se pode falar de Mansell, que perde 2 posições para as McLarens logo no inicio da corrida. Enquanto Senna e Piquet iam na ponta, Mansell vinha "babando" lá de trás, deu jeito de passar as McLarens e logo depois Nelson Piquet, e, já na volta 40 de 72, Senna não resiste aos ataques de Mansell, que, numa negociação de ultrapassagem de um retardatário (Brundle), toma a ponta da corrida. Em seguida, Senna iria receber uma pressão de Piquet na luta pela segunda posição, mas a Williams de Piquet "abre o bico" logo em seguida.
Quando muitos já esperavam uma vitória tranquila de Mansell, problemas de desgastes nos pneus e cautela para conservar o motor da Williams, fizeram Senna encostar e partir para cima do "leão" para retomar a frente. A 10 voltas do fim, Senna vai com tudo para cima de Mansell e retoma a 1ª posição, Mansell ainda perde o 2º lugar para Prost na curva seguinte.
Em uma tentativa ousada e, por que não, suicida, Mansell foi para os boxes para troca de pneus. A 9 voltas do fim, Mansell teria que tirar uma desvantagem de mais de 20 segundos para Senna. E tirou. Mansell, com pneus novos, chegava a ser 4 segundos mais rápido que o piloto da Lotus, já com pneus super desgastados. Na penúltima volta, Mansell despachou Prost e foi com tudo para cima de Senna, que, numa chegada antológica, consegue-se manter na ponta da prova por míseros 14 milésimos (!) de segundo, até então, a 2ª chegada mais apertada da história da F1.
Com esse resultado, Senna consegue sua terceira vitória na categoria e assume a liderança do campeonato de 86 com certa folga. Senna 15, Piquet 9 e Mansell 6 pontos.



Dupla brasileira na 1ª fila: Senna em 1º e Piquet em 2º



Com uma boa largada Senna se mantem firme na ponta, ...



... já seu companheiro de equipe, Johnny Dumfries, se defende como pode em posições intermediárias



Mansell que largou mal vem com tudo para cima de Senna ...



... e, na volta 39, consegue a ultrapassagem



Quando todos pensavam em uma vitória absoluta de Mansell, ele novamente perde a posição para Senna e vai para os boxes para troca de pneus



Faltando 9 voltas, Mansell ignora Prost e vai com tudo para cima de Senna. Na curva final Mansell cola em Senna para sair colado na reta



Fazendo falar mais alto seu motor Honda, Mansell põe de lado para ultrapassar, mas ...



... por míseros 14 milésimos, a vitória fica com Senna.



A dupla da McLaren vai bem: Prost em 3º e Rosberg em 4º



O mesmo não se pode dizer da dupla da Ferrari. Amargando péssimas posições de largada, Johansson e Alboreto abandonam logo no inicio da prova.



Com a estreante Benetton, Berger novamente chega nos pontos. 5ª colocação para ele.



Teo Fabi, seu companheiro de equipe, também pontua, fechando a zona de pontos em 6º



Patrick Tambay se arrasta com sua Lola em uma 8ª posição a 6 voltas do líder. É o GP de despedida dos motores Hart, que só voltariam a F1 7 anos depois. A Lola usaria os Cosworth até o final da temporada.



Pódio "Tio Pepe violeiro". Senna, Mansell e Prost.



Acompanhe os melhores momentos do GP com a narração de Galvão Bueno