sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Projetos não concretizados: March 2-4-0 Six Wheeler

O 2-4-0 foi um projeto da equipe March para lançar um carro com seis rodas na F1. Na época, a categoria já tinha um carro assim, era o Tyrrell P34, mas esses projetos eram bem diferentes: enquanto o Tyrrell tinha duas pequenas rodas dianteiras e uma grande traseira, o March 2-4-0 tinha 6 rodas do mesmo tamanho e 2 eixos traseiros, tudo isso para privilegiar a tração sem perder eficiência aerodinâmica.
Este carro começou a ser desenvolvido em 76 pelo projetista Robin Herd e foi apoiado por Max Mosley, parceiro de Herd no projeto, que notava como a Tyrrell tinha ganhado em publicidade desde a criação do P34, e esperava-se o mesmo para a March.
Inicialmente, o carro era para ter as quatro rodas traseiras motrizes, mas um grande problema surgiu: era a concepção do cambio, algo extremamente complicado e que demandaria altos custos, coisa que a March não esbanjava muito.
No final de 76, a March apresenta o 2-4-0 à imprensa, trata-se do chassi 761 com profundas alterações. Ainda no final do ano, faz seu primeiro teste, o carro seria pilotado por Howden Ganley que foi ao circuito de Silverstone repleto de jornalistas que queriam ver a vedete do momento. O 2-4-0 começa mal, anda meia volta antes que o cambio quebre. Para não perder o teste e fazer feio diante da imprensa, os mecânicos prontamente fizeram uma adaptação e o March voltou a pista somente com um eixo motriz. Os jornalistas presentes nem perceberam a mudança, já que o dia era de chuva e o carro sequer tinha dado uma volta com tração nas quatro rodas traseiras.
Ganley voltou a fazer mais alguns testes enquanto uma nova caixa de cambio era feita pela March, mas sem expressivas melhoras. O carro chegou a ir a Interlagos no final de Janeiro, mas sequer entrou na pista. Nas duas primeiras provas do ano, a March usou os chassis de 76 evoluídos.
Em Fevereiro, o carro voltou a Silverstone com tração nas quatro rodas traseiras, desta vez a equipe também contava com Ian Scheckter. Scheckter e Ganley elogiaram muito o carro e disseram que ele tinha muita aderência e parecia andar sobre trilhos tamanha a tração.
Sem dinheiro e sem tempo o projeto 2-4-0 foi sumariamente cancelado, pois a March já havia gastado uma fortuna em um carro sem nenhuma confiabilidade, apesar de ser muito rápido. Depois do fato, a March voltou a ter seu carro normal com quatro rodas.
Engana-se quem pensa que o carro parou nestes testes, em 79, o piloto inglês Roy Lane, exímio "montanhista", pegou a transmissão do 2-4-0 e a adaptou num March 771 e o usou em provas de subida de montanhas na Inglaterra. O carro pilotodo por Lane tinha tração nas seis rodas e levava incrível vantagem sobre seus concorrentes, mas sucessivas quebras de cambio, fizeram Lane abandonar o projeto depois de muitas vitórias.
Este March foi a inspiração para a Williams fazer um super carro de seis rodas, que simplesmente aniquilou os recordes de Paul Ricard, mas isso fica para semana que vem.



A March lança seu carro revolucionário em 76 ...



... tentando chamar a atencão da imprensa e de patrocinadores


O carro não era ruim, mas demandava muito dinheiro, ...



... e tinha uma problemática caixa de cambio que ninguem conseguia ajeitar



O Neo-Zelandês foi um dos testeiros do March, junto com ...



... o Sulafricano Ian Scheckter. O carro era ótimo, mas não durava 10 voltas



Em 79, o mecânico-piloto Roy Lane, reavivou o 2-4-0



Lane Comprou um chassi da March, comprou um cambio do 2-4-0, e foi correr nas montanhas



Se deu muito bem, mas o calcanhar de Aquiles era o problemático cambio

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O que você esta fazendo ai ?: Phil Hill na Ferrari

Sem especificar o ano, essa seria um cena corriqueira, pois Phil Hill foi campeão mundial com uma Ferrari em 61, mas ai tem um porem, o ano era 76!
No maior estilo Moss na Brabham, mostrarei a vocês este incrível teste feito com Phil Hill a convite de uma revista americana da época.
A pista era Riverside nos Estados Unidos, terra de Hill, e o carro era a Ferrari 312B3 que Niki Lauda usou em 74 e inicio de 75. Hill, que já não entrava em um F1 já fazia 10 anos, ficou simplesmente assombrado como carro: "o carro tem o dobro de potência que eu estava esperando", afirmou Hill.
Rasgando elogios a essa Ferrari, ele adorou as "asas" do carro e ficou assustado como elas funcionam bem, ressaltou os freios e fez uma comparação: "Na minha época você tinha que reduzir as marchas para frear, neste aqui, você só faz isso se quiser". Phil adorou "brincar" com essa Ferrari, falou que é muito fácil fazer o contra-esterço neste carro e como ele é estável e rápido nas curvas. Hill também estranhou o tamanho do volante, muito pequeno se comparado ao de sua Ferrari campeã em 61, mas gostou da refrigeração do carro e de ter suas pernas frescas, já que, quando corria de Ferrai, o motor era dianteiro e as esquentava muito.
No fim do ano, Hill teve outra oportunidade de testar a Ferrari, desta vez, ele testou a nova 312T2 nos treinos do GP Leste dos EUA em Watikins Glen.
Como a F1 evolui rápido, num "curto" espaço de 10 anos, a tecnologia salta de forma assustadora, e surpreende até os melhores pilotos, como Phill Hill.



De volta para o futuro! Hill guiando novamente uma Ferrari



Hill ficou abismado com a tecnologia que a 312 tinha



Brincando com 500 cavalos no haras da Ferrari



No melhor estilo Moss, ele pilota a Ferrari com seu antigo capacete



Dando umas voltas em Watikins Glen nos treinos para o GP de 76. Em um GP oficial, Hill pilota com um capacete moderno

domingo, 17 de agosto de 2008

Eu também já estive por lá: Jean-Louis Schlesser

Dia de estreia no F1 Nostalgia, hoje, vou lançar mais um tópico no Blog.
Neste, irei falar sobre aqueles pilotos que fizeram aparições esporádicas na F1. Começarei por Jean-Louis Schlesser.
Em 81, Schlesser foi campeão da F3 Europeia e se mudou para a F2 em 82 com esperanças de fazer um bom campeonato. Ledo engano, sequer marca pontos em toda temporada e mesmo vindo de um mal ano, faz sua estreia num F1 pilotando uma RAM na última edição da ROC em 83. Numa corrida anêmica com apenas 11 carros chega em 6º.
Durante a temporada de 83 da F1, a fraca equipe RAM, que vinha de 2 classificações seguidas para GP's (algo sobrenatural não acham?), convoca um segundo piloto para correr ao lado de Salazar no GP de Paul Ricard na França, mas nem o chileno e nem o francês conseguem classificação.
Sem dinheiro para bancar um segundo piloto durante a temporada, Schlesser fica sem equipe durante o ano.
A partir de 84, Schlesser faz esporádicos testes pela Williams, mas quando Mansell fica fora de dois GP's de 88, Schlesser é chamado para substitui-lo em Monza. seria sua grande chance de mostrar serviço pois que mais quereria um piloto de 40 anos (Schlesser faria aniversário 1 dia depois do GP).
Largando lá de trás, Jean vinha se mantendo firme na corrida, mas quando iria ser ultrapassado pelo líder da prova, Ayrton Senna, a 2 voltas do final, o inesperado acontece. Os carros da Williams e da McLaren se enroscam e deixam livre o caminho da vitória para a Ferrari ganhar seu único GP do ano (e também foi o único que a McLaren não venceu).
Depois do fato, Schlesser começou a se dedicar aos ralis, em específico o Dakar, e, mesmo com mais de 40, faz alguns testes na F1, como na Larrouse em 89 e na Sauber em 92, mas deixa a categoria e se dedica exclusivamente aos ralis, onde começa o desenvolvimento de seu carro próprio de competição e obtém infinitamente maior sucesso.

P.s. Convoco Germano Caldeira do Blog 4x4 a para prestar maiores esclarecimentos sobre a carreira de Schlesser pós F1. Agradecido.

"Bão...houve mais coisas aí...depois de entrar em um acordo com a RAM, onde a equipe entrava com o pé, e ele com o traseiro, Schlesser foi tentar a sorte no turismo e nos protótipos, sendo campeão francês de Turismo em 1985 pela TWR e correu no WSC pela TWR também, após isso ele foi acolhido pela Sauber-Mercedes (Não essa...a equipe de protótipos) onde ganhou a Supercopa alemã (substituta do DRM com carros Gr.C) em 1988, no mesmo ano rolou aquela batida que fez a fama dele. Depois ele levou a taça de campeão de protótipos em 1989 e 1990 com Mauro Baldi.
Em 1989 também começou a dar seus bordejos no Paris Dakar, em 1992 ele começou a construir os próprios carros, e ganhou a alcunha de "Raposa do Deserto" e conta com 5 títulos mundiais de Cross-Country (1998-2002)".


Primeira corrida de Schlesser num F1. Chega em sexto mas não marca ponto pois a corrida não é oficial



Tentativa de se classificar em Paul Ricard em 83



Na Williams em 85 testando novos freios para o carro



Em 88 tem sua maior chance na carreira, pilota uma Williams no GP da Itália, mas ...



... se enrosca com Senna nas últimas voltas e dá a vitória para a Ferrari



Seu último teste na F1. Pilota a Sauber na pouco usada pista de Lurcy-Levis



Schlesser no Dakar em 93, já pilotando seu próprio Buggy.



Video do acidente entre Schlesser e Senna

sábado, 16 de agosto de 2008

O que você esta fazendo ai ?: Nelson Piquet na RAM

Minha singela homenagem a um dos nossos grandes campeões, Nelson Piquet, que hoje completa 56 anos de vida.
O ano era 83, Piquet já era campeão mundial pela Brabham e o campeonato mundial estava acirradíssimo. Piquet dividia a ponta da tábua de classificação com o francês Alain Prost (15 pontos) após 4 corridas. Então me diga: o que Sr. Nelson foi fazer na RAM, uma das piores equipes da história da F1, que nunca sequer marcou 1 ponto na categoria?
Este teste aconteceu, exatos, uma semana antes do GP de Mônaco de 83, quando algumas equipes iriam para Paul Ricard testar seus carros. É ai que entra Piquet na jogada. John McDonald, chefe da equipe RAM March, queria uma opinião abalizada de seu carro, e nada melhor do que pedir isso ao atual líder do campeonato, Nelson Piquet. Bernie Ecclestone, na época, chefão da Brabham, gentilmente sede seu astro para a RAM no primeiro dia de testes no circuito.
Como já era de se esperar, Nelson não consegue nenhum milagre, e faz o pior tempo dentre os pilotos presentes.
Tradução livre
"Piquet disse que o carro é bom, é balanceado e bem suscetível a mudanças. Se conseguirmos dinheiro e um bom companheiro para Salazar, tenho certeza que estaremos lá! (GP de Mônaco)"
John McDonald.
Confira e compare os tempos dos que testaram na pista curta de Paul Ricard:

1'06"2 Alain Prost Renault
1'06"9 Nelson Piquet Brabham
1'07"0 Eddie Cheever Renault
1'07"3 Michele Alboreto Tyrrell
1'07"4 Manfred Winkelhock ATS
1'09"2 Nigel Mansell Lotus*
1'10"0 Nelson Piquet RAM

*Já testando o motor Renault turbo, pois a Lotus iria trocar, em poucas semanas, os V8 Ford pelos V6 Turbo da Renault

A ajuda até que foi válida para a RAM, se não fosse Salazar bater nos treinos, a equipe tinha chance de classificar o carro para Mônaco.



Resposta diplomática: - O carro é bem balanceado

Andarilho: Chris Amon

Hoje é especial! Abram alas para o rei dos andarilhos da F1. Chris Amon, o piloto que mais mudou de equipes na história da categoria!, foram 14 mudanças de equipe!
Para muitos, é o maior azarado da história da F1, nunca venceu um GP sequer, mesmo participando 108.
Certa vez, Mario Anfretti soltou esta pérola:
"If he became an undertaker, people would stop dying"
em uma tradução livre:
"Se ele se tornar um coveiro, as pessoas deixarão de morrer", tamanha a falta de sorte do Neozelandês.
Acompanhe agora as equipes em que Amon participou nestes 14 anos de F1



Faz sua estreia na F1 pela Reg Parnell, fica na equipe de 63 até inicio de 65. É ai que marca seus primeiros pontos



Em 65, recebe um convite de Ian Raby para pilotar um Brabham privado em Silverstone. Bate logo no inicio dos treinos



Ainda em 65 volta para a Reg Parnell, faz uma corrida e se muda de novo, ...



... desta vez para a Cooper, onde disputa o GP de Reims em 66. Sai da equipe logo em seguida



Ainda em 66, corre o GP de Monza em seu primeiro carro particular. Era um Amon com chassis da Brabham



Agora parece que vai! Em 67 se muda para a Ferrari, consegue 6 pódiuns, mas a tão esperada vitória não vem.



Em 70, corre pela March, faz mais 3 pódiuns mas nada de ganhar



Em 71 pela Matra, outro pódium, desta vez em Montjuich. Em 72 faz a pole em Clermont-Ferrand, mas chega em 3º



Em 73 faz 5 GP's pela Martini Tecno. Pontua logo na primeira



No final do ano, corre com a 3ª Tyrrell no GP do Canada



Em 74 corre de novo com um carro particular, o Amon AF101. Dos 5 GP's que participou, dá somente 22 voltas com o carro em corrida



No final do ano, abandona seu projeto e corre na BRM os GP's norteamericanos



Já em final de carreira, vai para a Ensign em 75. Em 76 marca seus ultimos pontos na F1, chegando em 5º no GP de Jarama na Espanha.



Para encerrar sua carreira, tenta entrar no GP do Canada de 76 pela Wolf-Williams. Bate logo nas primeiras voltas do treino e se despede da F1.