1981
Gilles Villeneuve, Scuderia Ferrari SpA SEFAC
Ferrari 126CK, Ferrari 1.5 V6T
XX Grand Prix Labatt du Canada
E sem aerofólio...
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Na largada, novo arranque canhão de Gilles, que no fim da primeira volta era segundo, atrás de Jones. Morde-lhe os calcanhares até á 11ª volta, quando ao chegarem á famosa curva Tarzan no final da recta da meta, Gilles ataca como só ele sabia fazer e, por fora e no braço, passa o australiano.Sem dúvida, um grande piloto. Meio maluco, mais um grande piloto.
Tudo parecia encaminhar-se para uma vitória tranquila de Gilles, e para uma recuperação boa dos pontos em atraso, pois Jody tinha caído para 18º na largada, e apesar de estar a recuperar fortemente ocupava agora o sexto lugar. Lafitte era oitavo, e se a corrida terminasse assim, Gilles seria o novo líder do campeonato. Gilles liderou tranquilamente até á 40ª volta, quando se começou a notar que o seu Ferrari estava a perder a estabilidade e… a rapidez, especialmente nas curvas para a direita, que são a maioria no circuito holandês, o Ferrari fugia anormalmente com se não tivesse mais pneus, mas não era esse o caso, pois o que estava acontecer era um furo lento no pneu traseiro esquerdo do Ferrari de Gilles.
E na 46ª volta, finalmente, na curva Panorama, Gilles roda e Jones, que se tinha aproximado muito, ultrapassa-o. Gilles, como de costume, sai lindamente do pião e retoma a luta mas ao passar em frente ás boxes, o pneu finalmente entrega a alma ao criador e explode em plena recta (como Mansell na Austrália alguns anos depois). Só o extraordinário controlo do carro que Gilles possuía impediu um enorme acidente, pois ao fazer um pião controlado conseguiu parar o carro sem bater em nada. Gilles viu nesse momento o campeonato ruir, pois atrasando-se na pontuação, sabia que a Ferrari tinha que tomar as suas opções e não preparado para desistir da luta, arrancou com o seu carro de 3 rodas por Zandvoort fora, como se possuído estivesse por algum espírito guerreiro das tribos indígenas das planícies de Saskatchewan, no seu Canadá.
O espectáculo foi fantástico, pois o Ferrari dançava por todo o lado e as faíscas, saídas da jante que batia no chão, abrilhantavam o show. Finalmente conseguiu entrar na box com aquela amostra de carro, mas mesmo assim não queria desistir, pois perante o olhar atónito de Forghieri e dos mecânicos, Gilles, com as mãos e aos gritos mandava que rapidamente lhe trocassem a roda. “Gilles at his best.” Ganhou Jones, Scheckter foi 2º e seguiram-se Lafitte, Piquet, Ickx e Mass.
Idiota, exibicionista, perigoso e mais algumas coisas parecidas foi o que de novo o apelidaram, mas não só.
Enzo Ferrari: Villeneuve ainda faz alguns erros ingénuos, mas é um homem que quer vencer acima de tudo. Ele foi justificadamente criticado mas não nos devemos esquecer que a sua paixão e o seu entusiasmo tiveram um predecessor, Tazio Nuvolari, e que este em 1935 ganhou o GP da Checoslováquia em Brno, só com três rodas. Assim, era possível."
Nigel Roebuck: “Graças a Deus que ainda há alguns poucos neste mundo que não sabem o que é desistir. Foi meio louco? Foi. Mas a sua atitude é coerente e veio do exacto mesmo espírito, paixão e competitividade que caracterizaram todas as suas corridas. Ele gosta mais de ganhar do que de não perder.”
Dennis Jenkinson: “A sua atitude e julgamento a alta velocidade, os seus reflexos, a sua tenacidade e a alegre excitação do seu estilo de pilotagem faz-nos a todos ir a um circuito só para o ver em acção.”
Gilles declarou depois: “ Enfiado no carro só o que realizei é que ele ainda andava. Eu sabia que algo estava muito mal mas enquanto andasse eu pensei que existia uma hipótese de poder ser reparado. Para mim, enquanto o carro andar, eu guio … e o mais depressa possível.”
Quem quiser que critique. Eu nunca.